sexta-feira, 9 de maio de 2014

Millôr - De onde vem a sua fama de extraordinária masculinidade? Eu sei que foi através de inúmeras brigas. Conte alguma coisa.
Eu comecei em 1928. Deram um tiro em um guarda civil na esquina da rua do Lavradio com a avenida Mem de Sá e mataram, né. Eu estava dentro do botequinzinho e disseram que fui eu. Então fui preso. Eu tinha 28 anos. Aí eu fui para o Depósito de Presos e daí para a Penitenciária e fui condenado a 26 anos. Na penitenciária, não. Na Casa de Correção.

Millôr - Segundo você, injustamente.
Injustamente.
Sérgio - Mas você não deu o tiro no guarda?
Não, o revólver é que disparou na minha mão. Casualmente.
Sérgio - Foi a bala que matou?
Não, a bala fez o buraco. Quem matou foi Deus.
Sérgio - Balas que saíram do seu revólver mataram quantos?
Bala que saiu do meu revólver só matou esse porque os outros era a polícia que matava e dizia que era eu.

**Entrevista com Madame Satã

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